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Nivaldo Lima Ornelas nasceu em 1941 em Belo Horizonte,
Minas Gerais, numa família de músicos, cantores e artistas. Tomou
as primeiras lições aos 12 anos com o professor Lindolfo Caetano (acordeon).
Estudou teoria musical e clarinete na Escola de formação Musical da
PMMG com Ney Parrella, ingressando, em seguida, na escola de música
da UFMG, onde estudou mais teoria musical com Luis Melgaço e composição
com Arthur Bosman.
Em 1963 entrou para a banda de baile de Célio Balona, deixando pra
trás o clarinete e se especializando no saxofone tenor. No ano seguinte
foi fundado o Bar Boate Berimbau, no edifício Malleta, tendo como
idealizador Antônio Moraes, e como sócios Nivaldo, Paschoal Meirelles,
Helvius Vilela e Ildeu Soares. Na onda dos conjuntos de bossa-nova
que proliferavam na cena musical, os da casa eram o Tempo Trio (Helvius,
Paschoal e Ildeu) e o Berimbau Trio (Wagner Tiso, Milton Nascimento
e Paulo Braga), sendo que esse último freqüentemente se transformava
no Berimbau Quarteto com a participação de Nivaldo no saxofone. O
grupo tocava o repertório da época, standards de jazz e bossa nova,
mas Nivaldo também sugeria alguns arranjos para temas tradicionais
e cantigas de roda, uma idéia que iria aproveitar em seus discos.
Depois de alguns meses de prejuízo o Berimbau fechou suas portas em
1965, mas havia marcado época na cidade. Algum tempo depois se organizou
o Festival de Música Mineira no Rio, seguindo uma caravana com vários
músicos para o Clube da Aeronáutica no Centro do Rio. O show foi ótimo,
mas com uma platéia pequena, por falta de divulgação do evento. No
entanto, a viagem, se mostrou proveitosa, pois no dia seguinte foi
feito o convite para que a turma gravasse um disco nos estúdios da
Musidisc. O LP "Expansão", gravado em uma tarde, continha basicamente
o repertório do espetáculo, com Nivaldo fazendo o arranjo da faixa
"Mensagem" - composição de Eduardo Prates. Vários mineiros ficaram
no Rio, como Paschoal e Wagner, mas Nivaldo voltou para BH. Nessa
época ele estava dissecando os discos de John Coltrane, tirando todas
as harmonias e solos. Com Paulo Braga (bateria), Jairo Moura (piano)
e Tibério César (baixo) formou em 1967 o Quarteto Contemporâneo, que
se destacava por longas improvisações free e por ter temas de Coltrane
em seu repertório, como "Impressions". Nivaldo já dava início à sua
carreira de compositor, apresentando algumas das suas criações no
quarteto. Pouco sobreviveu desse período de laboratório de composição
(mas "Cactus", por exemplo, conseguiu ser gravada nos anos oitenta).
Em 1969 Nivaldo recebe o prêmio de melhor arranjo do Festival Estudantil
da Canção por "Como Vai, Minha Aldeia", composição de Tavinho Moura
defendida por Marilton Borges.
Em 1971 Nivaldo Ornelas finalmente foi encontrar os outros mineiros
de sua geração no Rio de Janeiro, ao ser convidado para fazer parte
da Banda Jovem de Paulo Moura. O conjunto estava sendo remodelado
e Ornelas se junta a outros como Márcio Montarroyos, Claudio Roditi,
Paschoal Meirelles e Osmar Milito. Em 1973 vai morar em São Paulo,
por alguns meses, para participar do grupo de Hermeto Pascoal. Ele
já havia chamado a atenção do músico alagoano antes da partida deste
para os Estados Unidos, para trabalhar com Airto Moreira (e Miles
Davis). Com Hermeto, Nivaldo passa a tocar também saxofone soprano
e flauta, juntando-se à Nenê (piano e bateria), Hamleto (flauta) e
outros. Neste ano, também, participa da gravação do LP "Milagre dos
Peixes" de Milton Nascimento. Apesar do prestígio entre os músicos
o trabalho de Hermeto tinha um público ainda muito reduzido - mas
isso mudaria no decorrer da década. Nivaldo sentiu a barra e decidiu,
em vez de voltar direto pro Rio, passar seis meses em Belo Horizonte
para estudar e aprimorar sua técnica. Convidado para participar do
grupo de Milton na excursão do LP Milagre dos Peixes, volta ao Rio.
A banda de apoio era o Som Imaginário, que havia passado por algumas
formações e já lançado três LPs. Nos dias 7 e 8 de maio de 1974 Milton
e o Som Imaginário - Wagner Tiso (teclados), Toninho Horta (guitarra),
Nivaldo Ornelas, Luis Alves (baixo) e Robertinho Silva (bateria) -
acompanhados de orquestra regida por Paulo Moura, gravaram LP "Milagre
dos Peixes Ao Vivo" no Teatro Municipal de São Paulo. Neste LP o grupo
teve direito à faixa de abertura, uma seqüência de "Matança do Porco"
(Wagner Tiso) e "Xá Mate", a primeira composição de Ornelas a ser
gravada. O Som Imaginário acompanhou Milton nessa excursão, mas essa
formação não chegou a desenvolver trabalho próprio.
Nessa época Nivaldo estava com a cabeça bem direcionada para o trabalho
com Milton. "Minas", de 1975, não teria acompanhamento oficial do
Som Imaginário na capa e encarte, mas a banda era uma continuação
do que havia sido feito no ano anterior. As composições e os músicos
estavam afiados e, como era comum nos discos de Milton nos anos setenta,
todos davam sugestões sobre os arranjos e os climas. Foi na faixa
"Fé Cega, Faca Amolada" que Nivaldo sugeriu uma idéia simples de contraponto
ao sax soprano, que ficou eternamente ligada à canção. Em setembro
de 1975 saía o disco de Milton, e no mês seguinte o Som Imaginário
fazia no MAM sua primeira apresentação própria em alguns anos. Era
a banda de Milton da excursão do "Minas": Wagner, Nivaldo, Toninho
Horta, Novelli (baixo) e Paulo Braga (bateria). Ao fim desta, Wagner
e Nivaldo decidiram que o grupo tentaria novamente carreira própria.
Em 1976 o Som Imaginário, agora com Wagner, Nivaldo, Paulinho, Toninho,
Jamil Joanes (baixo) e Fredera (guitarra) excursionou por várias capitais
brasileiras e rodou o circuito universitário. O grupo infelizmente
não chegou a lançar um novo LP, mas gravou algumas contribuições para
a trilha sonora do documentário "Trindade", de Tânia Fonseca e Luiz
Keller. Os temas novos como "Igreja Majestosa", "Cafezais sem Fim",
"Rock Sobre Patins / Banda da Capital" e "Arqueiro do Rei" só foram
aparecer nos trabalhos solo de Nivaldo e Wagner. Também em 1976 Nivaldo
fez um breve retorno à banda de Hermeto Pascoal, então com sua "cozinha
paulistana" e músicos de sopro que variavam de show a show. Nessa
fase Nivaldo grava um disco de Hermeto no estúdio Vice-Versa, que
permanece inédito até hoje, e, no mesmo ano grava o disco "Corações
Futuristas" de Egberto Gismonti, excursionando com sua banda "Academia
de Danças".
CONTINUA, EM BREVE
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